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Histórico
Poluente atmosférico é toda e qualquer
forma de matéria ou energia com intensidade e em quantidade,
concentração, tempo ou características em desacordo com os níveis
estabelecidos em legislação, e que tornem ou possam tornar o ar
impróprio, nocivo ou ofensivo à saúde, inconveniente ao bem-estar
público, danoso aos materiais, à fauna e à flora ou prejudicial à
segurança, ao uso e gozo da propriedade e às atividades normais da
comunidade.
A relação entre efeitos à saúde e poluição atmosférica foi
estabelecida a partir de episódios agudos de contaminação do ar e
estudos sobre a ocorrência do excesso de milhares de mortes
registradas em Londres, em 1948 e 1952. No caso da Região
Metropolitana de São Paulo - RMSP, o crescimento desordenado
verificado na Capital e nos municípios vizinhos, especialmente da
região do ABC, a partir da 2ª Guerra Mundial, levou à instalação de
indústrias de grande porte, sem a preocupação com o controle das
emissão de poluentes atmosféricos, sendo possível a visualização de
chaminés emitindo enormes quantidades de fumaça.
Há registros em jornais da década de 60 e especialmente de 70, de
episódios agudos de poluição do ar que levaram a população ao pânico
devido aos fortes odores, decorrentes do excesso de poluentes lançados
pelas indústrias na atmosfera, causando mal-estar e lotando os
serviços médicos de emergência. Esse crescimento rápido e desordenado
levou, no início dos anos 60, à criação da Comissão Intermunicipal de
Controle da Poluição das Águas e do Ar - CICPAA, envolvendo os
municípios de Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul e
Mauá. As medições de poluentes na atmosfera restringiam-se às taxas
mensais de sulfatação, poeira sedimentável e corrosividade. As
atividades da CICPAA, no início da década de 70, foram incorporadas
pela Superintendência de Saneamento Ambiental – SUSAM, vinculada à
Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo e, em 1975, transferidas à
CETESB.
O monitoramento da qualidade do ar, com a avaliação das concentrações
de poluentes no Estado de São Paulo, foi iniciado na Região
Metropolitana de São Paulo, em 1972, com a instalação de 14 estações
para medição diária dos níveis de dióxido de enxofre (SO2) e fumaça
preta. Nessa época, a qualidade do ar passou a ser divulgada
diariamente à população por meio de boletins encaminhados à imprensa.
Parte das estações, denominadas manuais, continuam sendo utilizadas
pela CETESB no monitoramento da qualidade do ar.
Em 1981, foi dado um salto qualitativo, com o início do monitoramento
automático e a instalação de novas estações, para a avaliação de SO2,
material particulado inalável (MP10), ozônio (O3), óxidos de
nitrogênio – (NO, NO2 e Nox), monóxido de carbono – (CO) e
hidrocarbonetos não-metânicos – (NMHC),além dos parâmetros
meteorológicos como direção e velocidade do vento, temperatura e
umidade relativa do ar.
Os resultados dos monitoramento passaram a ser acompanhados de hora em
hora, em uma central, que recebia as informações de todas as estações.
Em 2000, o monitoramento automático foi ampliado para algumas cidades
do interior do Estado.
Além da medição diária desses poluentes, atualmente, a CETESB realiza
estudos sobre outros poluentes, dentre os quais se destacam o chumbo,
aldeídos e compostos reduzidos de enxofre, além de estudos
específicos, alguns dos quais, em parceria com a Universidade de São
Paulo – USP e Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP.
Programas de Controle de Emissão dos Poluentes e Resultados
Entre 1975 e 1976, embora o Estado de São Paulo não possuísse uma
legislação adequada para que a CETESB pudesse atuar de forma efetiva
no controle das diversas fontes, desenvolveu-se uma intensa atividade
para o levantamento das fontes de emissões atmosféricas industriais e
outras ações em um programa denominado “Operação Branca”.
Após a consolidação dos dados de emissão e com a promulgação da Lei
997/76 e seu regulamento aprovado pelo Decreto 8.468/76, a CETESB
aplicou, no final da década de 70, um programa para redução das
emissões industriais de material particulado e, no início dos anos 80,
um programa para redução das emissões de SO2.
Ainda na década de 80, foram registradas reduções significativas dos
níveis de SO2 na atmosfera da RMSP. Concomitantemente, a CETESB, na
década de 70, motivada pelas condições meteorológicas desfavoráveis à
dispersão atmosférica durante o inverno, desenvolveu a chamada
“Operação Inverno”, no período de maio a agosto, e estendida
posteriormente até final de setembro. Para tanto, os maiores
consumidores de óleo nas regiões críticas de poluição, RMSP e Cubatão,
foram obrigados a utilizar óleo com baixo teor de enxofre.
Nesse período, a CETESB intensificava a vigilância sobre as empresas
envolvidas na operação e, quando a rede de monitoramento da qualidade
do ar mostrava altas concentrações de poluentes, era solicitada às
fontes situadas nas áreas em que o padrão de qualidade do ar foi
ultrapassado, a melhora do desempenho de seus equipamentos e, se
necessário, que reduzissem sua produção. Houve casos, como o ocorrido
na atmosfera de Vila Parisi, em Cubatão, em que foram atingidos níveis
altíssimos de concentração de material particulado no ar, que levaram
à redução e mesmo à paralisação de atividades de várias indústrias.
Também no inverno, as ações de controle sobre a emissão de fumaça
preta por veículos a diesel foram intensificadas, visando a redução
das emissões.
A partir da metade da década de 70, a CETESB detectou altos níveis de
monóxido de carbono (CO) na região central da cidade de São Paulo
provocada pelas altas emissões dos carros movidos a gasolina. Ainda na
metade dessa década, a CETESB passou a desenvolver estudos para
avaliar as emissões veiculares provenientes da adição de etanol à
gasolina, verificando que essa mistura de combustíveis contribuía para
a diminuição da emissão de CO.
Com a adição do etanol à gasolina, ocorrido no início dos anos 80, em
substituição ao chumbo tetraetila, os veículos deixaram de emitir
chumbo na atmosfera da RMSP e, consequentemente, os níveis desse
poluente na atmosfera, segundo avaliação da CETESB, em 1983, mostravam
uma diminuição acentuada em comparação com os níveis de 1978.
Durante os anos 80, a CETESB desenvolveu as bases técnicas que
culminaram com a Resolução nº 18/86 do CONAMA – Conselho Nacional do
Meio Ambiente, que estabeleceu o Programa de Controle da Poluição do
Ar por Veículos Automotores - PROCONVE, posteriormente complementada
por outras Resoluções CONAMA. Essas ações resultaram na redução
significativa de emissão dos poluentes emitidos pelos veículos
automotores. No final da década de 90, a CETESB, por meio de sua rede
de monitoramento da qualidade do ar, registrava quedas dos níveis de
CO na atmosfera da RMSP.
Uma vez que os veículos automotores eram os principais causadores da
poluição na RMSP, a Secretaria do Meio Ambiente do Estado e CETESB
realizaram um programa de restrição ao uso de veículos durante os dias
úteis, com o objetivo de reduzir os níveis de concentração de
poluentes, principalmente de CO, na atmosfera. A primeira operação
ocorreu em 1995, durante uma semana e consistiu na mobilização dos
proprietários de veículos na RMSP para que os deixassem,
voluntariamente, em casa em um dia na semana, conforme o final de
placa. Em 1996 e 1997, a Operação Rodízio foi realizada por meio de
uma lei.
Mais recentemente, a CETESB elaborou uma proposta para o controle das
emissões das motocicletas, que deu origem à Resolução CONAMA nº 297/02
que estabeleceu o Programa de Controle da Poluição do Ar por
Motociclos e Veículos Similares – PROMOT, posteriormente complementada
pela Resolução CONAMA nº 342/03. Os níveis de CO na atmosfera da RMSP,
avaliados pela CETESB até 2005, comprovam a importância e a eficácia
desses programas.
Programas de controle sobre as emissões de fumaça preta por veículos a
diesel e os programas preventivos implementados pela CETESB têm se
refletido na contínua redução dos níveis de fumaça preta, MP10 e CO na
atmosfera da RMSP e municípios do Interior do Estado. |