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Sinuca de bico ambiental – Prof. Rogerio Alvarenga

Postado por Elaine Santos Em fevereiro - 24 - 2010

Encontramo-nos numa “sinuca de bico”, como diria meu grande amigo Rinaldo de Santis. A atual organização do mundo esta centrada na economia e no consumo. Consumo este que se transformou em consumismo. E não é preciso perguntar aos céus sobre o nosso destino. Somos nós que o estamos traçando. Ou seja, se continuarmos com esta estrutura econômica e política iremos rumo à destruição.

Prof. Rogerio Alvarenga - Eng. Florestal

Prof. Rogerio Alvarenga - Eng. Florestal

 A sinuca está nos sistemas tecnológicos que precisam avançar para sanar as necessidades e conturbações já existentes e com isso surgem novas contra-indicações.  

Se olharmos o mundo hoje, friamente, munidos da razão e dos preceitos morais veremos uma Babel e os vendilhões do templo, onde a extrema desigualdade social, associada diretamente a consistente degradação ambiental, torna insustentável a sustentabilidade do sistema global. E as principais vitimas são aquelas que estão na base da pirâmide econômica. E é sobre as classes mais populares que os impactos chegam primeiro. 

Não me perguntem sobre saídas e alternativas. Não fui chamado para compor o grupo da NASA. Que pena! Eu estou na ação e não na emoção. Estou “apagando incêndios” como tantos outros ambientalistas do meu tempo. E já, um pouco, cansado.

 Só sei que após o período da industrialização primitiva, a sociedade adotou a tecnologia como eixo dominante das estruturas sócio-econômicas. Daí advém a corrida armamentista e a perseguição ao pequeno satélite chamado lua, nos idos dos anos 60 e 70. 

Desde a antiguidade, não saberia precisar quando, os empreendimentos têm apenas dois termos de compreensão: o lucro e o poder. E você que esta me lendo diz: “de novo vamos insistir nessa teoria tão antiga”.

Mas, como educador percebo que estamos numa caminhada bastante profícua para a revisão destes problemas. Felizmente, a escola moderna, que ainda apresenta estímulos que legitimam e confirmam o consumismo e a degradação do que não se enquadra nas teorias sanitaristas, que valorizam o poder econômico e trazem inúmeros prejuízos à grande maioria da população e ao ambiente, tem apresentado indícios de falência. Uma educação antropocêntrica não permite compreender as relações das estruturas materiais e sociais. Isso nos pede um retorno ao livro de Henry D. Thoreau (Walden ou a Vida nos Bosques), não em sua concepção extremista, mas referenciado em suas idéias que favoreçam a sustentabilidade. Sustentabilidade esta que nos induz ao repensar do desenvolvimento.

Saindo de Thoreau, considerado o avô espiritual do movimento “hippie”, conforme nos informa Astrid Cabral, podemos ir em direção as facções mais esquerdistas, que seguiram muito as ideias de Antonio Gramsci, um expoente comunista. Talvez, se utilizarmos suas ideias pelo aspecto pedagógico e não ideológico, consigamos rever e repassar uma proposta favorável ao ambiente através das novas gerações.

Eu trabalho para que o nosso ensino seja ambiental, no sentido mais abrangente, acreditando que deva ocorrer uma grande reforma em todos os níveis de ensino e que pensem de forma crítica e que vejam o próximo não como um concorrente, mas como um irmão e cidadão. Esta é minha oração diária.

Prof. Rogerio Alvarenga

Eng. Florestal

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