Pesquisador titular no Instituto de Estudos Avançados/CTA desde 1986, onde atua na área de sensores a lasers e fibras ópticas.

É Bacharel em Física pela Universidade Federal do Paraná. Mestre em Física pela USP e Doutor em Física pela UNICAMP. É fundador e dirigente do Instituto Rã-bugio para Conservação da Biodiversidade. É líder AVINA desde 2002. Propôs e obteve aprovação de vários projetos de educação ambiental, da Fundação O Boticário, MEC/FNDE, PETROBRAS e de várias empresas privadas.

Destruição da floresta pode resultar na falta de água

Jornal A NOTÍCIA (maior jornal de SC), 22 de setembro de 2007 - caderno AN -JARAGUA

Diretora do Rã-bugio diz que nascentes podem desaparecer

   Árvores derrubadas. Morros ocupados por residências. Loteamentos construídos às custas de áreas verdes. Essa é a realidade vista da janela de muitos moradores da região. No Dia da Árvore comemorado ontem, o meio ambiente da região se encontrava em estado de degradação. Situação triste, mas real, que ameaça principalmente as nascentes de água em todo o Vale do Itapocu. Elza Nishimura Woehl, diretora do Instituto Rã-bugio, entidade sem fins lucrativos que tem como meta a educação ambiental, afirma que a região vai sofrer com falta de água em menos de 15 anos se o desmatamento não acabar imediatamente.

A floresta é responsável pela alimentação dos lençóis freáticos (canais subterrâneos de água), que dão origem às nascentes e abastecem rios. O funcionamento da Mata Atlântica, floresta típica perto do litoral, é perfeito para a água continuar brotando da terra.

Quando chove, os alunos que participam do Instituto Rã-bugio se maravilham em ver como as gotas da chuva penetram o solo lentamente, seja através dos pingos das folhas ou pelo tronco das árvores, na velocidade certa para abastecer os lençóis freáticos. O que não é absorvido por eles evapora, forma nuvens carregadas que proporcionam mais chuva. “Assim é o ciclo da floresta. A mata é indispensável para continuarmos tendo água”, alerta a diretora do Instituto. Em áreas urbanizadas, sem floresta, a água da chuva escoa muito rapidamente, sem penetrar os canais de água.

Elza enfatiza que somente com conscientização e educação a degradação da natureza pode ser amenizada. Entre os ensinamentos passados aos alunos através de programas do Instituto Rã-bugio em parceria com governo federal e Petrobras está os diferentes ecossistemas presentes na Mata Atlântica, predominante na região. Através do conhecimento da mata que cerca suas casas, os alunos passam a gostar de proteger a natureza, explica a diretora.
As aulas, que se revezam entre teoria e prática e já atingiram 350 pais, professores, funcionários de escolas e alunos, abordam o ecossistema da floresta Ombrófila Densa, predominante na região do Vale do Itapocu. Árvores altas, clima quente e úmido e grande diversidade de fauna e flora são suas características.

Na serra, pode-se observar a transição entre Ombrófila Densa e Floresta de Araucária, o segundo ecossistema, que já começa a ocorrer em Corupá e domina no Planalto Norte. A Floresta de Araucária se caracteriza por clima frio e seco. Em altitudes de 1.500 metros, como em Garuva (SC), os Campos de Altitude formam o terceiro ecossistema, em que predomina vegetação baixa.

Medidas para garantir o futuro

Os dois últimos ecossistemas estudados pelos alunos, vistos pessoalmente no município de Barra do Sul são mangue e restinga, que se formam próximo ao mar. O primeiro se caracteriza por vegetação com raízes formadas em cima do solo e é berço para diversas espécies na fauna. Já a restinga normalmente cobre dunas e é formada por vegetação rasteira.

Todos esses ecossistemas já são conhecidos pelos alunos do Instituto, que não se conformam ao se deparar com devastação em qualquer tipo de floresta. “É gratificante ver que adolescentes e professores que não viam mal algum em uma derrubada de árvore se indignarem com o ato depois de estudar o meio ambiente com a gente”, afirma Elza, que acredita que dessa forma são criados multiplicadores e protetores da Mata Atlântica.

O Nordeste brasileiro já foi repleto de Mata Atlântica, lembra Elza. A partir dos anos de 1600, logo depois de seu descobrimento, exploradores devastaram a mata para plantação de cana-de-açúcar em latifúndios e posteriormente usaram a região para a pecuária. Hoje a região sofre gravemente de falta de água, justamente porque não há mais floresta.

Um pouco mais ao Sul, a história vem se repetindo e o futuro pode se assemelhar com a região nordestina. A diretora do Instituto Rã-bugio cita que a água do Rio Itapocu, que abastece grande parte dos municípios, já está mais escassa e notadamente poluída. Para amenizar os estragos, Elza sugere o planejamento do município, com o plano diretor prevendo o crescimento e a preservação; planejamento familiar, para evitar o crescimento desordenado e o consumo ecologicamente correto.

Instituto Rã-bugio
www.ra-bugio.org.br

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AQUECIMENTO GLOBAL: SIM, ESTAMOS EM PERIGO

por Germano Woehl Jr.

Este artigo é uma contribuição para ajudar a esclarecer as dúvidas sobre este tema tão relevante para a humanidade neste momento, que talvez seja o prazo final para decidirmos nosso destino, entre o colapso e a prosperidade.


O fato é que não deveria haver dúvida alguma de que o homem arruinou o planeta e que é o único responsável pelo aquecimento global, pois há consenso sobre isso entre todos os cientistas mais notáveis do planeta, um fato raro na história da ciência. Esta unanimidade vem da análise de dados científicos bem consistentes, que foram medidos e coletados meticulosamente, usando equipamentos da mais avançada tecnologia. A conclusão é incontestável: o homem colocou a vida no planeta em grave perigo.

Alguns órgãos de imprensa têm sido os principais culpados por causar esta dúvida nas pessoas. Lamentavelmente, cometem um equívoco ao dar crédito a opiniões de pessoas sem respaldo na comunidade científica, que dão apenas palpites, sem comprovação científica alguma de seus argumentos, provocando a falsa impressão de que a comunidade científica está dividida e num acirrado debate se o homem é ou não responsável pelo aquecimento global.

A situação é mais ou menos a seguinte: para cada 100 cientistas sérios alertando que o homem está causando o aquecimento global, com argumentos científicos bem fundamentados, existe um indivíduo, sem prova científica alguma, dando nada mais do que um palpite negando o fato. Então, alguns jornais passaram a dividir democraticamente o espaço, dando a mesma importância para a conclusão deste grupo de 100 cientistas sérios e para o palpite deste indivíduo, que sem base científica afirma que as causas do aquecimento devem-se a ciclos naturais do clima na Terra.

A respeito das conseqüências devastadoras do aquecimento global sobre a vida na Terra, que obviamente também atingirá a nossa vida, só nos resta saber quando vão ocorrer. E neste ponto os cientistas têm errado nas previsões: estão acontecendo bem antes do esperado e com intensidade maior do que o previsto em simulações por computador. Um exemplo foi o que ocorreu na Antártica com a plataforma de gelo Larsen-B, que tinha 240 km de comprimento e 50 km de largura, prevista para derreter em 100 anos. Ela se desprendeu e derreteu em apenas 35 dias, no início de 2002. Isso comprova que os efeitos podem não ser graduais como a nossa geração gostaria (para deixar a conta para a próxima geração, quando não estivéssemos mais por aqui). A conta a ser paga pode surgir subitamente e nos surpreender.

Sempre me interessei pela preservação da natureza e desde a época de estudante de física, há 28 anos, tenho acompanhado atentamente este assunto, lendo muitos dos artigos científicos publicados nas mais respeitáveis revistas científicas especializadas e não dava para duvidar da qualidade dos resultados apresentados. Então, associando estes estudos que vinham sendo divulgados, fui ficando cada vez mais angustiado ao perceber que a devastação intensa da Mata Atlântica em Santa Catarina, mais especificamente das Matas de Araucárias no planalto norte, além de ceifar instantaneamente a vida de milhares de bichos que habitavam a área desmatada, estava contribuindo também para aniquilar a nossa própria espécie um pouco mais adiante.

Já que não dispomos de outro planeta para viver e achamos que não é ético negarmos a perpetuação da vida para milhares de organismos, incluindo a nossa própria espécie, minha esposa e eu decidimos criar uma ONG, o Instituto Rã-bugio para Conservação da Biodiversidade ( www.ra-bugio.org.br ), para defender continuidade da vida por aqui. Nossa atuação é através da educação ambiental nas escolas para mostrar para a garotada a importância da preservação das  últimas áreas de Mata Atlântica.

A sociedade precisa ser informada para não ser iludida com as propostas mirabolantes e demagógicas, como o plantio de árvores para salvar o planeta diante de um quadro alarmante de desmatamento legal e ilegal, tanto na Mata Atlântica, já quase extinta, como na Floresta Amazônica. Há estudos mostrando que se continuarem a desmatar, a concentração de gás carbônico na atmosfera vai aumentar significativamente a curto prazo, agravando, e muito, o aquecimento global, de modo que por muitas décadas os níveis permanecerão num patamar muito mais elevado do que é hoje – que já é suficiente para nos conduzir ao colapso -, e de nada vai adiantar cobrir o planeta com mudas de árvores, pois levarão muito tempo para crescerem e mesmo após este tempo não conseguirão retirar da atmosfera todo o gás carbônico emitido pela destruição das matas nativas. Lembrando que o desmatamento acaba com a vida dos animais que vivem ali, e o simples plantio de árvores não devolve a biodiversidade de uma floresta.

O que podemos fazer? Se quisermos resolver com seriedade o problema do aquecimento global, e da nossa sustentabilidade neste planeta, todo o esforço da sociedade deve ser empreendido no sentido de parar o desmatamento imediatamente, já! Se obtivermos êxito neste primeiro desafio, aí sim poderemos partir para os próximos: fontes alternativas de energia, projetos de seqüestro do carbono para reduzir os índices aos níveis da era pré-industrial permitindo a regeneração de florestas nativas, plantando árvores etc. Se não conseguirmos vencer nem este primeiro desafio, que não depende de avanços tecnológicos e tampouco gera desenvolvimento – só dependem do simples cumprimento das leis – podemos nos preparar para o pior, que nos espera num futuro bem próximo. Preservar o que resta de nossas florestas é a maneira mais racional e óbvia de prolongar nossa vida na Terra.

Germano Woehl Jr.
germano@ra-bugio.org.br
tel. (47) 3274-8613
Doutor em Física* e Ambientalista

Dirigente do Instituto Rã-bugio para Conservação da Biodiversidade
Jaraguá do Sul, SC
www.ra-bugio.org.br

*Pelo Programa RHAE-Energia do CNPq - Recursos Humanos em Áreas Estratégicas - Fontes Alternativas de Energia

Participe da comunidade do Instituto RÃ-BUGIO no ORKUT

http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=2078146

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GARRAFAS PET - 1001 UTILIDADES FALSAS PARA ALIVIAR NOSSA CONSCIÊNCIA

Todos os dias somos bombardeados por notícias de que alguém, finalmente, achou uma maneira de aliviarmos nossa consciência do consumo insustentável, com a descoberta de uma solução revolucionária do lixo que produzimos, como a utilização de garrafas PET para aquecedores solares, dutos para água, bóias etc.

A radiação ultravioleta (que é constituída por fótons de alta energia) solar interage com o material plástico e quebra a longa cadeia de carbono do polímero. Em outras palavras, quando exposto ao sol, o material fica todo quebradiço em poucas semanas, fragmentando-se em pequenos pedaços e contaminado o ambiente PARA SEMPRE, já que neste estado é difícil coletar os pedacinhos. Nestas condições ou quando sujas as garrafas PET ficam inviáveis para a reciclagem. Causamos menos danos ao ambiente se depositarmos as garrafas limpinhas, logo após o consumo do conteúdo. Se sujar um pouco, já era!? Vai para o meio ambiente rapidinho, provocando contaminação.

Ecologicamente é mais viável manter o material circulando o maior tempo possível entre a indústria e nossas residências. Minha esposa e eu acabamos herdando um passivo ambiental deste tipo, deixado em uma área preservada que adquirimos, em Itaiópolis (SC). O antigo proprietário usou centenas de garrafas PET, enchendo-as com areia, para fazer os canteiros de sua horta. Como nossa intenção é devolver a área ocupada pela residência para a natureza, isto é, deixar a Mata Atlântica engolir tudo, incluindo a casa de madeira da chácara, e tentamos remover as garrafas semi-enterradas.

Todas se esfacelaram!!! Em milhares de pequenos pedacinhos, que ficarão lá, para a posteridade. Só deu para retirar a parte onde não incidiu a luz solar, isto é, a parte enterrada, que estava toda suja, obviamente, e foi descartada no aterro.
Outro absurdo é usar estas garrafas PET em artesanato onde se agrega tintas, vernizes e solventes altamente nocivos à saúde humana, sendo que em pouco tempo tudo se degrada e acaba sendo descartado no aterro. Pior: incentivam isso nas escolas e chamam a atividade de “educação ambiental”, esquecendo de informar as crianças de que não faz muito tempo as garrafas eram de vidro e retornáveis e que em alguns lugares do planeta estas garrafas PET, bem como as latinhas de alumínio, são proibidas

Germano Woehl Jr.
www.ra-bugio.org.br

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