Paulo Diaz - biólogo, especialista em educação ambiental, mestre em Botânica e doutor pela UFRRJ com tese sobre interdisciplinaridade e Meio Ambiente. Participou do Projeto Saúde & Alegria em Santarém – PA e do Programa Protetores da Vida na Baía de Guanabara pelo Ministério do Meio Ambiente, atuou como educador ambiental no Programa Aprendiz Comgás e atualmente no Programa USP Recicla - SP.

Programa USP Recicla - SP
E.mail: pdiaz@usp.br

ARTE EDUCAÇÃO AMBIENTAL COMO PRÁXIS POLÍTICA

A partir de uma abordagem sistêmica da educação, trato de aspectos teóricos de uma pedagogia artístico-ambiental e sua importância na formação da cidadania participativa. Arte é vista aqui como uma característica do domínio afetivo que permeia a humanidade em sua existência cultural e biológica, pois se baseia no pressuposto de que, naturalmente, o ser humano é um ser criador, refletindo não somente sua porção genial e exploradora, como também sua face psíquica e transcendental.

Através da arte, temos a consciência de nosso poder mental em atuar sobre a realidade cotidiana, sendo a educação, neste contexto, uma forma de incentivar o estudo das próprias necessidades do cidadão-educando frente à sua situação real, com a maturação das habilidades intelectuais, a auto-valoração e as conseqüentes tomadas de atitudes e promoção de mudanças.

Desenvolvendo uma pedagogia problematizadora ou crítico-participativa, considera-se que qualquer estudante seja capaz de transformar-se a partir do enfoque das interações sujeito-objeto e sujeito-sujeito, percebendo-o como protagonista de seu próprio aprendizado.

Objetivando a integração transdisciplinar do conhecimento, a Arte Educação Ambiental torna-se então uma prática social de permanente e evidente inserção política, pois reflete e é refletida pela sociedade, sendo obviamente caracterizada pelo seu contexto histórico-geográfico-cultural.

AEA portanto não é necessariamente um novo termo: concebe-se aqui como uma noção do potencial criativo pré-existente nos educadores que lhes conferem a condição não só de promover conteúdos-formas específicas aos seus alunos, mas também de capacitar-lhes a se auto-perceberem como atores e co-autores do processo educativo, cultural e intelectual. Fator este que permite o envolvimento do estabelecimento de ensino, como um todo, na dinâmica político-econômico-social que a rodeia, mobilizando e incentivando também a participação comunitária nas dificuldades e conquistas acadêmicas. Portanto, acredita-se que a faculdade de inovação prática de cada um seja alavanca para se conquistar novos espaços e idéias que possam incentivar uma maior preocupação quanto ao ambiente coletivo, convertendo ao altruísmo, ao social e ao humanismo, uma sociedade inerentemente política.