Elaine Santos
Fundadora e Gestora do Projeto Ecolmeia
www.ecolmeia.com
Entrevista realizada em 30/01/2009
São Bernardo do Campo – SP
Entrevistado: Raimundo Agostinho Neto, Catador, 63 anos
Natural de São Miguel do Tapuí (PI)
Ao final vídeo com depoimento
Ecolmeia – Qual seu trabalho? Raimundo – Sou catador
Ecolmeia – Quando iniciou o trabalho como catador? Raimundo – Em 2006
Ecolmeia – O que o levou a começar o trabalho como catador? Raimundo – Eu saí da firma e estou doente, não consegui mais emprego.
Ecolmeia – Reconhece a importância de seu trabalho? Raimundo – Sim. Eu ganho meu salário, faço a limpeza da rua, ajudo a Prefeitura.
Ecolmeia – Mais alguém em sua família é catador? Raimundo – Não, só eu mesmo
Ecolmeia – Como está a quantidade de coleta, aumentando ou diminuindo? Raimundo – Aumentou mais da metade, aumentou os quilos. Acho que é porque as pessoas estão trazendo mais, e eu estou esperando.
Ecolmeia – Para onde leva o material? Sabe o que fazem com ele? Raimundo – Levo para o Ferro Velho do Farina em São Bernardo. De lá eles levam para a fábrica para moer e prensar e vai para a usina de reciclagem, mas não sei onde é.
Ecolmeia – Qual o tipo de material que mais chega para reciclar?
Raimundo – Papelão, papel branco, plástico é caro, mas tem menos.
Ecolmeia – Como varia o preço do material?
Raimundo – Varia assim pode “marca” aí: papel branco – R$ 0,20 / ferro e papelão – R$ 0,05 “tava” R$ 0,20, caiu / plástico – R$ 0,30, vem menos/ alumínio – R$ 1,50, é raro/ pet R$ 0,60/ misto- R$ 0,01 é jornal e revista.
Ecolmeia – Porque caiu? Raimundo – As usinas não estão comprando e algumas fecharam, aumentou a quantidade e o preço baixou, depois da crise lá americana.
Ecolmeia – As pessoas te respeitam quando está trabalhando? Na rua, no trânsito. Raimundo – Eu sou respeitado na rua. Tem gente que diz que posso ser considerado um empresário (risos) porque trabalho por conta própria. Tem gente que buzina.
Ecolmeia – Aonde vai quando fica doente e precisa de médico? Raimundo – Vou ao Posto de Saúde, sou bem tratado lá, só consulta, para exames demora dois, três meses.
Marquei oculista em outubro e ainda não consegui consulta.
Ecolmeia – O que gostaria de fazer se não fosse catador? Raimundo – Se eu fosse novo não estaria nessa, seria um carpinteiro.
Ecolmeia – Se fosse novo e fosse estudar, qual faculdade gostaria de fazer? Raimundo – De médico operador (cirurgião) para poder ajudar os outros. Fui criado sem pai e mamãe era pobre, éramos 9 irmãos no interior.
Ecolmeia – O que espera que melhore em sua vida? Raimundo – Daqui “pra” frente não tenho chance, na minha idade só “pra” ir vivendo.
A Prefeitura se quisesse podia me ajudar, mas não se interessa, se eu pudesse levar o que coleto para uma cooperativa.
“Pra” melhorar seria trabalhar com a Prefeitura na cooperativa.
Eu gostaria de trabalhar dentro de uma cooperativa, sem ficar no tempo e fazendo serviço pesado. É meu sonho.
Sou como um funcionário da Prefeitura, porque limpo o lixo das ruas.